sábado, 17 de novembro de 2007

De burro e de louco, toda a gente tem um pouco

A este post, decidi chamar "de burro e de louco, toda a gente tem um pouco".
Mas também se podia chamar "telhadinhos de vidro".

Explico porquê:

Na edição de quarta-feira, 14 de Novembro, a Directora do Jornal Destak, Isabel Stilwell, escreveu o seu habitual editorial.
Neste específicamente, bateu forte e feio nos blogs (e outros) de autoria anónima que lançam rumores sobre a vida de pessoas, as quais, alega ela, não teriam possibilidade de se defender.

Escreveu ela, ainda, que tais autores fariam isso porque sabiam que não podiam ser apanhados e que deviam haver leis para isso.

Defende, também, que, ao contrário, os jornalistas estão sujeitos a rigorosas regras de controlo e responsabilidade.

A versão integral do editorial pode ser lida aqui: http://www.destak.pt/docs/251/Lisboa.pdf

Mas se tiverem pachorra, aqui fica ela também:

"É espantosa a forma como algumas pessoas usam a internet, os blogues e até os comentários àquilo que lêem nos jornais, para criticar acintosamente este ou aquele, escondendo-se vergonhosamente atrás do anonimato. O senhor X ou a pessoa Y, acusada de alegadamente ter pecado por palavras, actos ou omissões, não tem outra hipótese
senão o de ignorar os insultos que alguém que não dá a cara, muito menos o nome ou o número do bilhete de identidade, decide dirigir-lhe. Ou de encolher os ombros,
se lhe forem depois repetidos como verdade universal. Não tem hipótese de responder, nem sequer de esclarecer, nem tão-pouco de fazer queixa às autoridades. Ou seja, não
goza dos mesmos direitos que a lei concede a qualquer cidadão difamado.
Mas esse desequilíbrio é a força do cobarde.
E o pior são as idiotices pegadas que escrevem. Porque ser obrigado a assumir as consequências daquilo que se diz publicamente leva a pensar duas vezes, a fundamentar acusações e a reunir provas. É assim que funciona a comunicação social livre, é a democracia. Porque quando as pessoas não são responsáveis pelo que afirmam, e ainda por cima têm a certeza de que só muito dificilmente alguém chegará até elas, fica apenas o insulto gratuito que não interessa a ninguém.
Estes atiradores possuem um perfil muito semelhante entre si, nomeadamente
o de saberem que mentem, e terem consciência da imoralidade do que fazem. Possuem a
mente delirante e paranóica de um louco, apaixonado por teorias conspiratórias
e forças ocultas, mas não o são. Porque os genuinamente loucos não se escondem.
Este novo mundo virtual precisa urgentemente de legislação, que armas tecnologicamente mais sofisticadas vão permitir implementar.
Por agora, a única coisa que resta a quem quer preservar o bom nome, é a consciência de que o que dá credibilidade a uma informação é o nome de quem a subscreve,
e o meio que o veicula. Insultos declamados geralmente através dos nomes mais ridículos falam apenas do estado mental e da coluna vertebral de quem os
escolhe. Um bom tema para os psiquiatras portugueses reunidos esta semana em congresso."

Houve quem, carinhosamente, me viesse alertar para a (mui pouco provável) hipótese de que a boca fosse para mim.
Eu, muito sinceramente, não enfio a carapuça.

Por vários motivos:

Para já, só um burro não perceberá quem escreve neste blog.
E também Fernando Pessoa não foi preso por usar heterónimos.

Depois, não lanço aqui boatos. Quanto muito, comento notícias e informações publicadas na comunicação social.

Além disso, não me parece que o Destak seja uma referência no jornalismo de investigação. Publicar "notícias" e informações emanadas da Lusa, a maior parte das vezes com textos rigorosamente iguais (ou quase) aos publicados nos congéneres jornais Metro ou Global certamente não enaltece muito a digníssima e controladíssima profissão de jornalista.

Depois, a senhora directora do Destak deveria saber que, há muito, há legislação sobre esta matéria. Embora tendo nova versão (revista) há cerca de um mês, o Código Penal português há anos e anos que prevê tais crimes de ofensa à honra, etc.

Também sobre o ser difícil chegar aos autores de blogs, sites ou forums, há programas básicos (E GRÁTIS) para isso. A Polícia certamente também os conhece.

Embora não especialista em boatos, leio muito sobre o assunto. Por isso, para acabar, permito-me dar-lhe uma dica: Um dos poucos princípios básicos desta matéria é de que, antes de se criticar algo ou alguém, se deve ver bem se não cometemos o mesmo erro.

Apenas dois dias depois das palavras da senhora D.Isabel Stilwell, o seu próprio jornal, publicava esta notícia:Porque, se calhar, nem todos são tão "picuinhas" como eu, talvez não tenham notado as incongruências:

1ª: As pessoas colectivas privadas não pensam. Pensar é humano. Ou seja, o Inter de Milão, o clube, não pode estar a pensar. Talvez os seus responsáveis o façam. O clube, não.

2ª O insuspeito e cumpridor Destak faz um juízo de valor sobre uma pessoa (reparem no sinal "menos" na parte esquerda), numa notícia não assinada por nenhum jornalista!
E agora? O pobre visado vai-se queixar a quem???
Obviamente que há que fazer, muito rapidamente, legislação sobre isto...
(aqui está o telhadito de vidro de que falava).

Se acharam que esta foi muito rebuscada para dar uma achega na senhora, devo-vos dizer que o melhor está para vir.

É que o boato completo, ou melhor, a "notícia" completa era assim:Não me digam que não repararam em mais nada estranho???
Não??
Também não faz mal. É uma coisita sem importância. É que a foto ao lado da "notícia" não é do Adriano, o jogador supostamente visado, do Inter de Milão.
É de Adriano, por mera coincidência também avançado (e também brasileiro), mas jogador... do Futebol Clube do Porto!!!

(Percebem agora a parte do "burro", no título do post?

E será que o Inter de Milão está assim tão preocupado em internar um jogador do Porto???

E este, o do Porto, como é que vai chegar à pessoa (ir)responsável que publicou a notícia?
Há que fazer também, urgentemente legislação sobre isto!
É a democracia...

Mas, felizmente, "a única coisa que resta a quem quer preservar o bom nome, é a consciência de que o que dá credibilidade a uma informação é o nome de quem a subscreve"
(onde é que eu já li isto???)

Daí eu ter falado no burro. E nos telhados de vidro.
Como poderia falar no louco, no anónimo, no insultuoso, no difamador, no idiota, no irresponsável, no imoral, no cobarde, etc.
:o)

Quanto à directora do Destak (a quem aproveito para mandar aqui um forte e sentido abraço), espero, muito sinceramente, que depois dessa gaffe, continue bem. Ou, em bom português still well.

Ass: Um louco

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